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NÓS — arte e ciência por mulheres

APRESENTA A HISTÓRIA E O TRABALHO DE ARTISTAS E DE CIENTISTAS BRASILEIRAS E ESTRANGEIRAS

Visitação

18/03/2023 a 11/06/2023

A exposição apresenta a trajetória das mulheres como produtoras de conhecimento. No mês marcado pelo reconhecimento da luta e conquistas dos direitos das mulheres, a mostra exibe um panorama que valoriza a presença delas na ciência, ao mesmo tempo que dá luz à histórica invisibilização de suas atuações na sociedade. Faz isso através da apresentação de personagens, iconografia histórica e científica e, como um projeto de arte, através do trabalho de artistas contemporâneas.

Contemplando cenários históricos que vão desde a sabedoria ancestral até a crescente presença feminina nas instituições científicas nos dias de hoje, a narrativa da exposição propõe tanto uma denúncia quanto uma ode à presença de mulheres nas mais diversas áreas do conhecimento. Como denúncia, a mostra considera as múltiplas camadas de opressão que atravessam e organizam uma sociedade ainda marcada pelas exclusões, mas também apresenta e valoriza, através de uma narrativa complexa e entrelaçada, que a mulher sempre foi protagonista de sua própria história.

A EXPOSIÇÃO

A mostra é dividida em dois núcleos temáticos, abordando diferentes áreas de atuação em que as mulheres são produtoras de conhecimento. NÓS — arte e ciência por mulheres faz um recorte e apresenta cerca de 60 cientistas de diferentes épocas e nem sempre reconhecidas por suas conquistas, como a alquimista e profetisa grega Maria; as químicas Marie e Irene Curi; a bióloga Bertha Lutz e a paleontóloga Carlotta Joaquina Maury. Entre as 19 artistas contemporâneas estão Arissana Pataxó, Berna Reale, Bruna Alcântara, Efe Godoy, Marcela Cantuaria e Paty Wolff.

O primeiro núcleo, “Não se nasce mulher, torna-se mulher”, retorna aos tempos medievais e destaca como a sabedoria e autonomia feminina, muitas vezes na figura de parteiras, curandeiras e benzedeiras, por exemplo, passaram a ser vistas como uma afronta à manutenção da lógica patriarcal e à sociedade da época, sendo consideradas imorais, criminosas e até mesmo bruxas. Por conta de tamanho preconceito, muitas delas foram condenadas à fogueira.

Também abordada a ideia de construção social de gênero e seus impactos na produção de uma sociedade e de uma ciência majoritariamente androcêntricas, apresentando mulheres que tiveram relevância não só na produção científica como também no debate sobre igualdade e representatividade de gênero. Algumas das mulheres em destaque são: da educação, a escritora Nísia Floresta (1810-1885), considerada a primeira feminista do país e a fundadora do Colégio Augusto, no Rio de Janeiro, que viria a ser um marco na história da educação feminina brasileira; da saúde, a médica Maria Odília Teixeira (1884-1970), conhecida como a primeira mulher negra do Brasil a se formar no curso de medicina e autora de um estudo pioneiro sobre a cirrose alcoólica em uma época de forte estigmatização de pacientes da doença; e das ciências humanas, a filósofa Sueli Carneiro, fundadora e atual diretora do Geledés — Instituto da Mulher Negra, a primeira organização negra e feminista independente de São Paulo.

Já o segundo núcleo, chamado “A revolução será feminista, ou não será!”, explora a contínua luta das mulheres por uma sociedade mais igualitária, em que todos tenham pleno acesso a direitos políticos, econômicos e sociais, naquela que é considerada a mais longa de todas as revoluções. Entre alguns dos variados temas explorados, está o trabalho doméstico. Num país como o Brasil, em que as mulheres dedicam entre 20 e 22 horas por semana a este tipo de serviço, e os homens apenas 10, obrigando muitas delas a largar seus estudos e empregos para cuidar da casa, o combate ao sexismo e ao ultrapassado ideal do que seria um “trabalho de mulher” segue urgente e necessário.

Dentre nomes importantes nas áreas da ciência e tecnologia destacados estão a médica brasileira Beatriz Grinsztejn, primeira mulher latino-americana eleita como presidente da International AIDS Society para a gestão 2024-2026, com o desafio de enfrentar as iniquidades que persistem na resposta global à epidemia de AIDS; a geneticista Mayana Zatz, pioneira ao localizar genes novos ligados a doenças neuromusculares e coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano; a cientista da computação Nina da Hora, que atualmente integra o Conselho de Segurança da rede social TikTok e se considera uma hacker antirracista dedicada a pensar de forma crítica a inteligência artificial; e Jaqueline Goes, biomédica que participou da equipe que sequenciou o genoma do vírus Zika, e se destacou por coordenar a equipe que conseguiu sequenciar o genoma do vírus SARS-CoV-2 apenas 48 horas após o registro do primeiro caso de covid-19 no Brasil.

A mostra é uma exposição coletiva construída pelo coletivo curatorial do Estúdio M’Baraká, formada por Isabel Seixas, Letícia Stallone, Gisele Vargas e Diogo Rezende, e com consultoria da pesquisadora Magali Romero Sá, especializada em História da Ciência.

Além de um projeto expográfico acessível, a exposição conta com roteiros de audiodescrição para o público com deficiência visual e roteiro de vídeo-libras para as pessoas surdas. Esses roteiros podem ser acessados gratuitamente por QR codes. Os textos da exposição também serão disponibilizados via QR codes de forma acessível para softwares de leitura de pessoas com deficiência visual. Todos os vídeos no espaço expositivo contam com legendas em português e legendas descritivas. Há também vídeos que contam com recurso de audiodescrição ou Libras. Foi realizada uma seleção de objetos sensoriais que são destinados às visitas mediadas realizadas pela equipe educativa, que também passou por formação em acessibilidade para poder receber todos os perfis de público com equiparação de oportunidades. O espaço do Paço das Artes possui rampa de acesso para espaço expositivo, elevador e banheiro acessível para pessoas com mobilidade reduzida ou deficiência física.

A exposição NÓS — arte e ciência por mulheres é uma realização do Estúdio M’Baraká, do Ministério da Cultura e do Governo Federal, através da Lei de Incentivo à Cultura, e conta com idealização da M’Baraká, patrocínio master da AstraZeneca, apoio do Paço das Artes, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, além de apoio de acervo do Museu do Índio, Museu Nacional Museu de Ciências da Terra / CPRM, Instituto Butantan, Sítio Roberto Burle Marx e Fiocruz.

O Paço das Artes tem apoio institucional da Kapitalo Investimentos na categoria Master; Vivo e Grupo Travelex Confidence na categoria Ouro; e TozziniFreire Advogados na categoria Prata. O apoio de mídia é da JCDecaux, Nova Brasil FM e Alpha FM, e o apoio operacional é do Pestana Hotel Group.

A exposição apresenta a trajetória das mulheres como produtoras de conhecimento.

Data: 18.03 a 11.06.2023

Visitas: de terça a sábado, das 11h às 19h, domingos e feriados, das 12h às 18h

Local: Paço das Artes – R. Albuquerque Lins, 1345 – Higienópolis

Ingresso: gratuito

Governo do Estado de SP